Para analista, retração da oferta e prorrogação da dívida contribuem para alta do preço do arroz

01-09-2012 17:10

Analista de mercado, Tiago Barata convidado pela Associação dos Arrozeiros palestrou aos produtores locais.

O analista de mercados Tiago Sarmento Barata, da AgroTendências Consultoria em Agronegócios, foi o convidado para encerrar o ciclo de palestras do mês de agosto organizado pela diretoria do presidente Ronaldo Busatto da Associação dos Arrozeiros de Itaqui e Maçambará. Na terça-feira, 21, no Parque da Rural, fez uma explanação aos produtores da atual conjuntura do mercado de arroz nacional e internacional e também da soja. Traçou um quadro mais otimista vislumbrando o próximo plantio, considerando que o preço da saca de arroz em casca está bem favorável em relação ao produtor, na ordem de 81% mais valorizado em relação ao início do ano comercial de 2011.

E cita alguns fatores concretos que contribuíram para justificar a valorização do preço do cereal como a redução de aproximadamente 14% da safra em função da estiagem e o crescimento das exportações que contribuem para enxugar os excedentes. E mais, o governo federal prorrogou a dívida dos produtores, isso refletiu na retração da oferta de arroz no mercado e as importações não estão ocorrendo na ordem natural historicamente. Para Tiago Barata, o preço da saca do produto está muito próximo do seu limite, até para evitar que a bolha estoure. Se o produtor vender hoje, está fazendo um bom negócio, com certeza. A grande sugestão é de diluir essa venda ao longo do tempo, porém é arriscado reter todo produto para vender mais adiante. "Pode vir liberação de estoque e eventualmente entrar arroz de outros países, mas descarto essa possibilidade nesse momento", analisa Tiago. Quanto a liberação de estoque o governo deverá segurar, pois pode ser mais útil lá na frente, se a safra for realmente menor, observa o consultor.

Existe uma pressão por parte das indústrias para que o governo abasteça o mercado com arroz dos estoques públicos. Porém o governo federal parece ainda pouco sensibilizado com a demanda dos beneficiadores em razão da alta ao consumidor ainda ocorrer de forma lenta e a próxima safra sofrer influência da estiagem. Pelo atual levantamento a capacidade hídrica das barragens, garantiria o plantio de apenas 54% da área plantada no último ano. No entanto, existe a expectativa de maior incidência de chuva na primavera para recuperação dos mananciais, mas prejudicaria a semeadura na época considerada ideal, o que contribuirá para redução de área e elevação do preço do arroz.

Para Tiago Barata, a maior seca da história dos Estados Unidos na principal região produtora de soja e milho gerou a elevação dos preços. Apesar da melhora da capacidade hídrica americana, as perdas foram irreversíveis e abre espaço para o Brasil, que se consolidará como o maior produtor de soja do mundo, que está com um cadeia produtiva bem estruturada para aproveitar da melhor forma possível este cenário, com preço super atrativo.

 

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